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'Eu achava que não tinha inimigo', diz ministro sobre rumores de demissão

'Eu achava que não tinha inimigo', diz ministro sobre rumores de demissão

'Eu achava que não tinha inimigo', diz ministro sobre rumores de demissão

Alvo de rumores sobre uma possível saída do governo, o ministro da Secretaria-Geral, Márcio Macêdo, disse na terça-feira (17) que achava que “não tinha inimigo”, mas descobriu recentemente “que tem um monte”. A fala ocorre em meio à expectativa de que o atual ministro da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta, possa ser deslocado para o posto hoje ocupado por Macêdo, em uma dança das cadeiras a ser promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os ministros palacianos.

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“Eu achava que não tinha inimigo. Depois, eu descobri que tem um monte”, ironizou Macêdo em uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto. “Não mexe um músculo na minha face esse tipo de coisa”, acrescentou.

Aos jornalistas que cobrem o Planalto, Macêdo relatou uma conversa que teve com “um companheiro do nosso grupo”, em que esse interlocutor teria lhe dito que “tem gente que quer o seu lugar”. O interlocutor teria completado, afirmando ainda que “tem gente também que está aproveitando isso para desviar os problemas de outro lugar”.

“Eu acho que isso é do processo da política. Tem em todos nós. Tem gente que, com certeza, no seu trabalho, vai querer lhe desgastar”, disse o ministro.

Macêdo afirmou ainda que sua origem nordestina deve incomodar pessoas que são “do Sul” ou “de São Paulo”. Ele não fez referência direta aos colegas, mas outros dois ministros palacianos se encaixam nesse perfil: o paulista Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Pimenta, que é gaúcho.

“Deve incomodar muita gente, porque, olha, eu sou do Brasil profundo. Eu não sou de São Paulo. Eu não sou, como a gente chama, do Sul, nem do Sudeste”, disse Macêdo, que é baiano de Esplanada, mas tem seu berço político em Sergipe. “Eu venho do meu Estado político, do menor Estado da federação. Isso deve incomodar muita gente. Mas, cara, eu sou ministro palaciano, ministro da confiança do presidente.”

O ministro queixou-se ainda da “plantação” de notícias sobre sua possível saída do governo, mas disse que isso não mexe com ele.

“Todo dia alguém planta uma coisa. E eu fico olhando e isso não me mexe”, afirmou. “Eu não estou preocupado com essa disputa política, nem agora, nem para o futuro. Eu estou concentrado. [...] Eu fico até o dia que o presidente quiser. O cargo é dele.”

As notícias sobre uma possível saída de Macêdo circulam há meses e se acentuaram depois de uma bronca pública dada por Lula pela baixa presença de militantes em um ato no Dia do Trabalhador em São Paulo, no 1 de Maio deste ano. Macêdo, que é responsável pela articulação com os movimentos sociais, saiu chamuscado do episódio.

“[Macêdo] é responsável pelo movimento social brasileiro. Não pensem que vai ficar assim. Ontem, eu disse para o Márcio que o ato está mal convocado. Não fizemos o esforço necessário para levar a quantidade de gente que era preciso levar”, disse o presidente na ocasião.

Recentemente, Lula fez uma queixa pública sobre a comunicação do governo, o que fez aumentar a sensação de que Paulo Pimenta está perto de deixar o comando da Secom. Depois disso, passaram a surgir rumores de que o gaúcho poderia ser deslocado para a Secretaria-Geral.

Macêdo afirmou que uma eventual saída do ministério “não muda em nada” o seu sentimento pelo presidente.

“Ele vai ter sempre [em mim] um soldado defendendo o que eu acredito. Porque eu sou militante, que me preparei tecnicamente, politicamente, para servir um projeto que eu acredito de vida”, afirmou.

Macêdo disse ainda ser um dos que defendem que o presidente reduza a carga de trabalho. Lula passou uma semana internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para a retirada de um hematoma entre o crânio e o cérebro decorrente de um tombo que levou no Palácio da Alvorada em outubro, quando bateu a cabeça.

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Na entrevista coletiva, o ministro afirmou que Lula “tem saúde de leão”, mas “trabalha muito” e precisa descansar, como “qualquer ser humano”.

“Ele sofreu um acidente como qualquer pessoa poderia sofrer. [...] E ele está tratando disso. Ele trabalha muito, eu fico impressionado com a vitalidade dele”, afirmou Macêdo. “Eu sei que sou daqueles que defendem que ele deveria diminuir a carga de trabalho. Porque qualquer ser humano precisa descansar.”

Segundo Macêdo, Lula, que tem 79 anos, “não tira férias, no final de semana trabalha, comanda o governo dele com muita vitalidade, discute profundamente os assuntos, chama os ministros, reúne, chama quem tem que chamar, ouve muito e toma as decisões dele”.

Lula teve alta na segunda-feira do Sírio-Libanês e já despacha com ministros. No mesmo dia, recebeu Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais), em sua residência em São Paulo. Deve retornar a Brasília na quinta-feira, após novos exames no hospital.

Há previsão de uma reunião ministerial na sexta-feira, para fazer o balanço dos trabalhos deste ano, mas o encontro ainda não estava confirmado e pode dar lugar a uma confraternização informal. Macêdo, porém, disse defender que Lula descanse até se recuperar plenamente.

“O que nós sabemos é que ele quer fazer a reunião ministerial e que ele quer voltar na quinta-feira pra cá. Agora, ele vai passar por uma ressonância na quinta-feira, tem avaliação médica”, disse Macêdo. “Eu tenho defendido aqui que ele tem que descansar, se recuperar completamente. Ele já está trabalhando, como vocês viram lá, os ministros para discutir a parte econômica e para poder essa votação da reforma tributária no Parlamento.”

Fonte do artigo:estatísticas lotomania